sábado, 23 de julho de 2011

"QUEM NÃO PODE COM MANDINGA..."

Quantas e quantas vezes já escutamos essa frase, mas nem todos entendemos seu significado, até por desconhecermos sua origem. Essa frase data dos tempos do cativeiro no Brasil. Naqueles tempos, eram conhecidos os “capitães do mato”, escravos escolhidos para cuidar dos outros cativos e tomar conta das fronteiras de terras. Os senhores de engenho escolhiam para essa tarefa escravos muçulmanos, conhecidos como “mandingas”.
Os mandingas constituíam verdadeira “casta” entre os demais. Com cultura peculiar, carregavam em torno do pescoço um barbante com um saquinho, chamado patuá, no qual guardavam as escrituras sagradas do Alcorão com algumas ervas; tinham o costume de orar várias vezes ao dia, voltados a Meca, e eram temidos pelos demais como se fossem verdadeiros “feiticeiros” ou mandingueiros. Quando um escravo pretendia fugir, tinha como opção passar-se por mandinga, o que não era fácil. Com  o sonho de ganhar a liberdade nos quilombos, muitos se muniam de um patuá ao pescoço, mas era necessário saber encarar um “mandingueiro” de frente e falar com ele na seu idioma.
Daí surgiu o provérbio “quem não pode com mandinga não carrega patuá”, que perdura até os dias de hoje no sentido figurado de: “quem não tem competência não se estabelece”.

Até a próxima!